As diferenças dos cartões de crédito brasileiros

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As excentricidade do cartão de crédito no Brasil: veja como esse instrumento de crédito funciona aqui e como é diferente em outros lugares do mundo.

O Brasil não tem suas peculiaridades apenas quando falamos de hábitos culturais, a língua falada ou o esporte favorito. Assim como esses aspectos diferenciados, a organização financeira, os bancos e consequentemente seus produtos também estão estruturados e pensados de outra maneira.

Um bom exemplo disso são os cartões de crédito que, aqui em terras tupiniquins, tem caracteríticas diferentes dos cartões comercializados no resto do mundo. Veja quais são:

  1. Parcelamento sem juros
  2. Data de vencimento e corte
  3. Taxas de juros
  4. Programas de recompensas
  5. Cartão como meio de pagamento

1. Parcelamento sem juros

O parcelamento sem adição de juros nasceu para buscar mercados dos antes tradicionais cheques pré-datados. Era comum clientes passarem cheques sem fundo e com isso os estabelecimentos arcavam com a dívida sem a segurança do pagamento ser realmente realizado.

Com o parcelamento no cartão esse tipo de problema pode ser contornado. O mesmo tipo de compra que era realizada através dos cheques pré-datados agora poderia ser feita com o cartão de crédito (em parcelas mensais fixas), trazendo ao estabelecimento a segurança do pagamento ser realmente feito (os bancos passam a arcar as dívidas dos compradores).

Além disso, o parcelamento sem juros foi um grande propulsor na popularização dos cartões de crédito no Brasil.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o parcelamento sem juros não existe. Toda compra através do cartão, quando parcelada, tem a adição de juros. Vale ressaltar que as taxas de juros nos EUA nem se comparam com as praticadas aqui no Brasil, são explicitamente inferiores.

2. Data de vencimento e corte

A data de corte é uma data que o cliente estipula para o fechamento da fatura mensalmente. À partir do corte o banco estabelece a data de vencimento dessa fatura.

Nos Estados Unidos são os próprios bancos que estabelecem a data de corte e vencimento. No Brasil a data de corte é variável para que as pessoas possam programar seus pagamentos de acordo com as datas de recebimento dos seus salários.

Algumas pessoas recebem o pagamento dia 5, outras no dia 10, existe ainda o adiantamento do salário que pode também ter uma data variável. Devido a essa variação de calendário de cliente para cliente, os bancos optam por dar flexibilidade à data de corte. Dessa forma os clientes podem marcar a data de vencimento próxima a seus recebimentos e não correr o risco de atrasar o pagamento da fatura.

3. Taxas de Juros

Você já deve ter ouvido falar que as taxas de juros no Brasil são uma das mais elevadas do mundo. Isso não acontece por acaso, especialistas apontam que a falta de regularização das taxas pelo Banco Central e a liberdade dos bancos em estipular seus juros fazem com que esses valores tenham uma média alta, principalmente quando comparado a outros países.

Segundo a Anefac, taxas de juros rotativo do cartão chegam a superar os 200% ao ano aqui no Brasil. Esse valor é quatro vezes maior do que a taxa média na Argentina (50% ao ano). Em países como os Estados Unidos, essas taxas chegam a valores como 16% ao ano.

O resultado das taxas altas é que o brasileiro usa menos o crédito rotativo. No México, por exemplo, 73% das compras são feitas no rotativo enquanto no Brasil esse número expressa apenas 29%.

Com a recente redução da SELIC pelo banco central e o crescimento do mercado de cartões de crédito as taxas de juros nos cartões de crédito devem  cair e se estabelecer em valores mais baixos. Isso já tem acontecido, é o caso de produtos como o Itaucard 2.0 e as recentes reduções dos juros rotativos do Bradesco.

4. Programas de recompensas

Os cartões brasileiros têm uma tendência em copiar alguns aspectos do cartão de crédito nos Estados Unidos. Os programas de recompensa são um bom exemplo disso.

Programas como o Cash Back, onde o cliente recebe de volta parte dos seus gastos, são um grande sucesso nos EUA. Esse modelo já pode ser encontrado em alguns cartões aqui no Brasil. Outra fórmula copiada é a dos famosos "gift cards": o cliente troca seus pontos no cartão por vales desconto em lojas associadas à emissora.

Acumular pontos através de suas compras e poder trocá-los por milhas ou produtos são um grande chamativo na captação de novos clientes. Quando usados de forma certa eles realmente trazem benefícios aos portadores dos cartões, além de popularizarem os plásticos por suas vantagens.

Ainda assim, os programas americanos geralmente dão vantagens maiores dos que os brasileiros, nesse sentido ainda estamos caminhando para uma evolução dos programas de recompensa. 

5. Cartão como meio de pagamento

Além de um meio de pagamento, o cartão de crédito é um instrumento de crédito: o portador tem acesso ao crédito pré-estabelecido pela instituição a qualquer momento que desejar.

Dentro do limite de crédito o usuário pode adquirir bens mesmo sem ter dinheiro para pagá-los naquele momento. O uso desse crédito esta sujeito às taxas de juros e este é um dos motivos pelos quais os portadores de cartões, aqui no Brasil, fogem dos parcelamentos longos e do crédito pré-estabelecido.

Por outro lado o cartão de crédito se popularizou por ser um meio de pagamento. O motivo é sua facilidade no uso:

  • É mais seguro e cómodo andar com o cartão ao invés do dinheiro.
  • É aceito em quase todos os tipos de estabelecimentos.
  • O controle financeiro é feito através da fatura.
  • Existe a possibilidade do parcelamento sem juros.
A interpretação como meio de pagamento está se estabelecendo entre a população e essa forma de olhar para o cartão não é a mesma que em outros lugares do mundo. O brasileiro deve sim ver o cartão como meio de pagamento, mas cabe a ele também conhecer todos os aspectos desse interessante instrumento de crédito.

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